
Quarta-feira, Dezembro 24, 2008
Reféns de Vidro
(Sonia Cancine)
Inesperadamente. O intocável acontece...
Gera-me fonte de frescor. Desde que te conheci.
Resgata-me do sombrio...
Exige-me o uso de lamparinas de azeite
e conduz-me por entre aléias guarnecidas de flores
Sombreadas por caramanchões.
Em jardins ladeados por árvores frutíferas
tamareiras, figueiras e palmeiras...
Ornamenta-me com ramos das videiras
O seu atento e sutil olhar...
No espelho d'água veste-me, com roupas diáfanas
Para que eu possa adentrar neste jardim-santuário
de linhas onduladas.
Não permita que meu olhar se desvie...
E deixe de perceber pássaros e flores de lótus
Lentamente, me conduz pelas mãos ao amor
que como papiros, cresce ao longo da margem.
Em silêncio pequenas fagulhas surgem...
e o fascínio que era um sonho distante
Como um canto nos atrai, e nos leva a mergulhar...
Nas profundidades do ser, e dali extraímos
a fonte de nosso alento
Em cacos dispostos...
Você e eu caminhamos por um chão de barro escuro
Apenas libertando nossos reféns de seus vidros
de exposição. Mas, na ressonância de seus ecos...
Perco-me em você.
.
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Ah! Esse sentimento de respeito, medo e encantamento?
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Espreguice...
Na lucidez de minha loucura...
(Sonia Cancine)
Cabe-me a observação, ao passar
pela janela de seu olhar, isenta da roda-viva
e da engrenagem que move os homens.
O que me leva a pensar e a crer
que pode ser meu homem, e posso lhe pedir:
Abra sua janela e deixe-me entrar...
Vim te recepcionar
Inspira-me
me aceita
e abraça-me
Trago-lhe uma gota de Mim...
Escuta meus sons
e dancemos junto aos ventos
Ouça! Entoam batidas oriundas
[suaves e profundas]
das vísceras de meu Ser
Venha! e se entrelace:
em meu corpo
alma
e espírito
.
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Em manhas de amor
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Lágrima que Sangra...
Ao som de egos fulgentes, na tumba da idolatria, sangram em hálito candente às sombras da negação. Enleada em comiseração, só, se apercebe do vazio a sua volta e sofre em prantos... Libera dos tristes olhos e cansados, uma lágrima que sangra. Sangra ferina e quebrantada, e (cão) fusa é sua oração no tempo de fúcsia, que sangra em toadas e tons. São a vozes que cala a alma, a dor que se desdobram, as pétalas de amor rasgadas em cicatrizes, pela navalha da razão...
(Sonia Cancine)
Impressa pela emoção e cristalizada, brilha ao sol distante no abismo da culpabilidade...
Pela fome do prato da insatisfação, a alma se mantém atormentada de luto vitalício em lágrima - lamina. Com intensidade cadenciada sangra-te as veias, e transforma-lhe a face sem cor. Pura como a morte dilacera a essência e, ao tocar sua plácida face à agonia do choro, o amor junta fragmentos perdidos... Tatuados como maldição da essência, para que sua lágrima produza alvitres cristalinos como anjos, e ácidos como larozes.
Na escuridão ouvem-se gritos ensurdecedores... Arrebatam suas raízes da terra da dor e, como flores colhidas do jardim...
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Suas lágrimas cristalinas guiam-me na obscuridade.
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Um Sopro no Jardim
Na distrofia do isolamento...
(Sonia Cancine)
Em obscuridade e estado de sonolência
Entrei e permaneci, no tubo da transição
Num ato de colisão senti que daqui...
Desprendi-me e perdi a lucidez
O ocaso me impulsiona a te conhecer...
Sua face me revela um toque de puro requinte
e em lúgubres estilhaços, desvenda-me
De repente, olho-te! com lacuna impenetrável
Olha-me com fúcsia sinistra
(de quem vê a biografia se degenerar)
Sombras escamoteiam o medo
no cruzamento dos portais...
E dentro de mim impera:
- a solitude calada –
Conspiram versos desencantados
E da obscuridade alojada...
Conduz-me pela mão a vida, que por ora.
Já não pulsa mais, e torna as mãos vazias
Cobre-me de flores e folhas
Neste jardim visionário...
Leva-me inebriada a existência
e ao sopro de seu toque impetuoso
Liberta-me a alma deste jardim sombrio
Na fonte antes, sagrada e inviolável.
Faz-me caminhar por entre as flores
Como a pomba, com o ramo de Oliveira
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A vida floresce e de novo, regresso a terra.
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Carne Nua e Crua
O branco vazio de seu sarcasmo
(Sonia Cancine)
Na retina de meu asco
Conota a lascívia de seu ego
Diante da via imperatriz
Desfila e destila seu veneno
E abiscoita mente crua de carne nua
Que abocanha a podridão
De mente vazia, carne nua e crua
Agride a veia sangrenta.
E mutila na idolatria, a paixão
Tornando indigesta a visão
Por vias absurdas
A prepotência é risível
Os olhos atentos
Na morbidez de seus atos
A tudo observam aleivosia
Aos cuidados do verdugo
Diante de riste predador
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Portais da Visão
Nas marcas aguçadas
(Sonia Cancine)
Nos jardins negros do isolamento...
Entrego-lhe as chaves dos portais
- das lascas em pétalas
As sombras de meu coração -
A distância entre a minha e a sua
Torna-se muito pequena
Sua sombra me atrai, me transigindo.
Para que em gesto prematuro...
Venha!
A dar preenchimento e cor
no sítio que nos separa
Antes, iluminado
Acentua-me um tom cinza claro
para inclinar-me à penumbra
a razão de tal inusitada confissão
Somos a luz emitida pelos extremos
A incidência do que se encontra abaixo do céu
de meus sentidos adormecidos
Busco o seu olhar...
Tão gélido e indiferente
Fenômenos estranhos ocorrem
e me trancam nos desertos obscuros
Onde animais se arrastam
e meus olhos não suportam olhar
Ah! se eu pudesse rasgar seu coração
E nele poder habitar...
As culpas que comigo carrego ao vento...
Vislumbram o que você não quer ver
Olhos atentos nas sombras da noite
Enunciam:
- Se entregue para mim...
Abra-se e se aqueça
Através das chaves dos portais -
.
.
De meu eterno delírio.
As curvas de iluminação...
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A Existência!
(Sonia Cancine)
Submersa nas profundas e sombrias águas
Deságuam. No silêncio da inquietude
E de minha alma a esquadrinhar...
Significados da existência
Busco na fleuma seguir sinais indicativos
dos caminhos por onde devo ir...
E no ensaio flutuante e nebuloso
Tento discernir o brilho do ocaso
que oscila na ponte da sagacidade
e me pergunto:
- se é divino ou é o arcanjo pássaro
que em sua aura a brilhar
deitou em mim o seu trilhar -
Será que sou ainda pássaro triste, ou
A (penas)
Danço de acordo com as emoções.
Deste mundo estranho e conturbado?
Ah! Se eu pudesse voar...
Planaria no cenário da vida e diria:
.
.
Olha-me! é loucura ou verdade
E será que seu rosto me revelaria
Ou, seria de cera a ilustrar?.
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Sozinha na Calçada!
Hoje tão somente solicitei a luz....
(Sonia Cancine)
Que deixou de brilhar em meu íntimo confuso
É imperioso manter-me aprazível na consonância
Para que eu tão somente, resplandeça.
A paixão, o ímpeto e a dor misturados à desilusão.
Da veracidade que nascera docemente no coração
Revela-se de certa forma dissonante
Nessa “paranóia critica“ a todo instante....
E tão só neste mundo me deixastes...
Se, busco e o vazio encontro?
A tarde caía...
Nela, debruçava-se a sombra do anoitecer.
Sozinha, sem saber pra onde ir.
Pensava em você e nos desencontros.
Na calçada triste e fria, a encontrar.
No ocaso uma tormenta me conforta
Os beija-flores dispersam-se extenuados
As nuvens sombrias aterrorizam o céu rasgado
E no vácuo infecundo de fenômenos mentais
Em sonhos penso se um dia haverá a distinção
entre o mundo cognoscível e o incognoscível?
E no coexistente princípio de contradição....
Vejo-me na calçada sem vida e vazia
A noite tão densa e sem luar
Torna-me fria em minha morte. E em lascas
Rasgadas. O verbo se faz no coração.
O perfume da flor desaparece e ávida
Serpente (ante) a torrente salubre jorra
Chorava e esperava-te...
.
.
Sozinha na calçada, que amargura!
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Porão d'Alma!
(Sonia Cancine)
Numa pulsação de galhos e de fuligens
Queimava ao sol na arena dos portais
E ao luar no ninho macio da natureza
Olhaste-me com ternura, às sombras da paixão.
À beira-sonho tão intensamente te sinto...
E nesse poço sem fundo, não quero vê-lo mais.
Em joelhos, nua aos seus olhos negros.
A primeira vez em que nos abraçamos...
Lábio carne em vermelho se fez
Na lacuna de nossas vidas
O vazio não mais poderá ser
A ansiedade destrói o que de belo há de vir
Liberte as lágrimas e inicia a sua redenção
É contra isso que luto a pugna
Das forças acirradas que devoram sua alma
Mas, creia ela exuberante é, de luz.
Minha mente ansiava que eu sentisse...
Que tudo é ilusão, até mesmo as suposições de amor.
Apenas meras impressões. O dedo segue o comando
do cérebro, mas não os do âmago e da paixão
A força dos ventos nos arremessa...
Árvores são derrubadas e me sinto ausente
Sua essência é quase como a minha
Mas, por veredas estranhas te conduzem.
O que acontece neste momento?
.
.
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É que eu levei uma vida inteira esperando entender...
O que hoje representa pra mim.
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Pétalas em Festa
(Sonia Cancine)
De cacos brilhantes em adornos a renovar.
E se, um dia me vi perdida...
Não mais sinto assim no âmago
de minha expiação
Reluz na luz da esperança e alinham meu espírito
O renascer peculiar e bucólico frente à indignação
Em estações mutantes se refaz pétalas cristalinas...
Solidificam-se lágrimas em cristais de puro requinte
Jaz n’alma movimentos de delicada dança
de belo encanto
E se leve fosse o coração tal qual o vento
quão perfeito expressaria
e em majestosas pétalas se daria
Ao som do pulsar da alma abatida
o desejo aprisionado se debate
No poente um temporal se aproxima
e pássaros voam tristemente
A espera de o alto os anjos despejarem
chuva de pétalas contagiantes
Na alegoria sediciosa de em festa viver
- copiosamente -
Não mais consigo expressar
palavras delicadas e tocantes
Nesse desenrolar da vida
o novelo tece enredos delirantes
Chove chove chuva
chove chove sem parar
Traz o seu carinho
e vem vem comigo
Vem comigo festejar
.
.
as lágrimas em finas pétalas.
Nesse dia a esquadrinhar?
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Pétalas em Sentidos...
És como o som de uma brutal e linda música
(Sonia Cancine & Ricardo Pozzo)
(inspirado na música - Una música brutal)
O vinculo por ressonância nos conduz...
Quão lobos nos alimentamos de traços enigmáticos
E tornamos selvagens os sentidos adormecidos.
Atraídos pelo desconhecido á distância
sem a necessidade de ter se falado sobre isso
Sinto-te como o som de uma brutal e linda musica
em notas de acordes de intensidade ao dizer-me:
- olhar-te leva-me a colher à flor branca
da languidez em intensas pétalas –
E agora, onde está
para apaziguar meu desejo desse olhar
e dessa voz que acariciam meus sentidos?
Você e eu nos encontramos em um momento crucial...
neste lento e melancólico vaguear
que conflagra a paixão e a revela em alento
Digo-lhe, então, suavemente:
Cá estou a apaziguar o desejo desse olhar
e o meu desejo se estende a essa voz
Sussurrando, a acariciar seus ecos.
Sinto você!
Suas asas por aqui deixaram...
Uma suave brisa de pétalas
e um vento intenso que me invade
Mas, o medo me assusta ao me imaginar...
.
.
.
Por estes caminhos resvaladiços
- Junto de você –
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Intensidade...
Espreita que todo o tempo do mundo é pouco.
(Sonia Cancine)
A vida em movimentos se faz...
E por breves momentos se refaz
até que nas luzes prevalecem
- o silêncio e o crepúsculo...
Sua ardente alma suaviza
meus passos...
O sopro de seus sentidos
vibra acordes do mistério
- na candura e no vigor -
Caminho em passos lentos pelos toques sensuais...
Devasso em traços enigmáticos - o fulgor da paixão
Paixão espelhada neste olhar peculiar
Versa sentimentos, nada mais.
Sua essência desperta anseio irrefletido...
De devaneios e em riste meu desejo.
Sua ausência falta me faz, e mais te quero sentir.
A realidade bate a porta, feito insana.
E não sei o que faço, para apaziguar essa vontade:
- de ter contato.
Só sei que a vontade existe. Mas, não adianta muito.
As maneiras de apaziguar essa angustiam.
Às vezes, penso que nos conhecemos tanto.
Mas, tão pouco, ao mesmo tempo.
E isso me assusta.
Somos intensos e pouco se fala a respeito
Apenas nos sentimos e creio que você e eu
Ao sabor de beijos e carícias no eco do peito
com intensidade, desejamos-nos assim...
.
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.
Na lúcida intensidade.
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Nas Asas da Noite
As pessoas têm manias como se fosse possível exigir perfeição nesse tão (dês) colorido sítio de afabilidade e iniqüidade. O grito silencioso impera neste desigual mundo que se recusa a deixar de ser mudo. É um ansiar (in) definido-confuso provocado por olhares do exílio e torna intacta minha indignação. Ecos limítrofes-sombras da insanidade e da lucidez, onde se faz necessário o desejo existencial, tecer caminhos em novelos especiais.
(Sonia Regina Cancine)
--------------------------------------
Há uma guerra que ocorre agora...
O tempo urge nos tempos atuais tão estanques e selvagens. A dor já vivida feito eco ressoa. Movimentos assinalam na luz constante deste céu tão distante de cor carmim, e infalíveis são os gélidos ventos oriundos dos passos e obliqüidades, que se misturam nas labaredas das portas entreabertas.
Nas asas delicadas e enigmáticas da noite, perco-me insone. Extasio-me nos sonhos vividos, nas delicias dos beijos selados, nas caricias de olhares trocados. Na alma incandescente e gritante deste mundo (de) flagelado, almejo ninho de almas tocantes e de beleza estonteante, que não fira e sangre feito acúleo florido. Desejo sentir o perfume do amor em pétalas espargidas...
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Caminhando com os Ventos...
Sonia Regina Cancine
Roubados, em um só instante.
Transbordam infalível-limítrofes.

Limítrofes - ao cataclismo aparente
Vazio incompreensível...
Incompreensível, aos olhos da gente.
Caminhos estranhos...
Por vales e montanhas
desertos e abismos a avistar.
Os ventos me chamam...
E me conduzem a enxergar
Espíritos sopram...
E me convidam a caminhar.
Através de visionários deixo-me levar...
Na força do intento/fenômenos
Revela-se no fogo sagrado:
a chama interior.
Oh homem! Semeia a Terra...
A palavra, o divino existente.
Beba da fonte da sinceridade
- para frutificar -
Prossiga a jornada...
Aqueça corações: seja infinito!
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Mente vazia....
Sonia Regina Cancine
Minha mente anda vazia
Às vezes...
Sinto meu coração insensível.
E ele não pode
Não, não pode.
Ficar vazio.
O amor simplesmente se sente...
Intrínseco, é. Só da gente.
Lembro-me da última forte/emoção
que senti:
- a voz de minha mãe
impingida pela tristeza
revelando sua ausência -
Não tenho pressa..
Meu coração está desocupado
Quero estar ao seu lado
Amar-te...
Mesmo me perdendo
Não me apresse.
Meu coração está vazio...
E ele não pode
Não, não pode.
Ficar vazio.
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Vísceras
Sonia Regina Cancine
A cuspir fogo/felino
Sangra!
Rastejam-se ofídio/mortais:
Por entre linhas tortas
fazem-se aço em atos
ao engendrar cadeias e portais.
Espectros resvaladiços...
Estampam penumbras
de suas viscerais formas:
espirituais e virtuais.
Veias se dilatam no veneno deslustrar...
Ao enunciar para si:
fluxos incandescentes
de suas mentes ferinas infernais.
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.: Um Novo Chamado ao Vento...
Ouço vozes... anunciando o amanhã
Nem a tristeza, nem a desilusão
Sonia Regina Cancine
e o silêncio se faz!
Pensamentos voam... e como pássaros livres
soltos, mergulham na voz da emoção.
nem a incerteza e nem a solidão...
Nada me impedirá de sorrir.
Nem o medo, nem a dor...
Nada me impedirá de sonhar.
Mesmo errando e aprendendo...
Alço vôos sorrindo
agradecendo, perdoando
- recomeçando -
Seus olhos/meu espelho
Refletem... refletem o mar.
Somos opostos, como fogo e água
Nem o vento leva...
Nem o vento separa.
Vento murmurante... entoa uma canção.
Pensamento inquieto... um tumulto se faz.
Sinto-o perto... forte sensação.
Ouça! É meu novo chamado ao vento...
Sopra longe.... varrendo sua ausência
amenizando a dor.
Sonho, então, acordada:
cavalgando ao vento
e em seus braços, estou.
Assim... numa viagem inigualável
nossas almas se alcançam
e, posso tocar você!
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...Insaciável desejo de Amor!
Sonia Regina Cancine
Nesse breve compasso...
Esqueço-me por instantes...
da névoa cinzenta
do cansaço e dor
que pulsa em meu espaço.
Os passos suaves...
Sinalizam o caminho
que conduz ao amor.
Pétalas vermelhas
caem ao chão...
Sinto forte sua presença
Rasgo minha alma
Entrego-me...
Em ato selvagem...
Revela sua feracidade
Sacia minha sede
Alimenta-me
de paixão e ardor
Desfaleço-me!
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...Tão distante e tão perto!
Sonia Regina Cancine
Minha mente repreende certas escolhas
que meus olhos fazem...
Mas, meu coração, gentilmente sorri.
Meu cavalo alado,
sempre branco e enluarado.
Indomável e imponente
acena-me, suas asas enormes
e me convida a um vôo provocativo...
Despertando-me os instintos selvagens
ocultos em meu ser.
Assim, prossigo minha cavalgada
Transitando pelo Céu e a Terra.
Entre o mundo dos sonhos
e o mundo dos mistérios.
Às vezes, sinto-me terra seca e árida...
Sou deserto, estou distante.
Às vezes, sou presença e sinto saudades.
Nem sempre sou inteira, sou metade de mim.
Por vezes, sou você...
Na maioria das vezes, sou eu.
Às vezes, sou sorriso e alegria
outras vezes, sou lágrimas.
Nem sempre sou tudo...
Outras vezes, não sou nada.
Assim prossigo...
Nas minhas próprias verdades e dúvidas
Nos limites obscuros sobre o que sou
e o que penso que sou.
Sendo aos outros, o reflexo de MIM.
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.: Manifestação da Luz...
Muito se tem dito e discutido a respeito da luz...
Ao observar o que se passa no mundo: os conflitos, as catástrofes, as relações caóticas, a acentuada arrogância e a ganância existente, percebo que a humanidade cegamente caminha como um rolo compressor de si mesmo. O homem encontra-se em processo evolutivo, entretanto, vencido pelo seu maior inimigo – o egoísmo. Ao não arrojar-se desse estágio, passa a ser um predador nas suas relações com o outro. Não consegue perceber que para a felicidade geral, se faz necessário desgarrar-se de seu ego. O que vemos é visivelmente desesperador. Pois, até mesmo a esperança que move os corações, está sendo tragada por esta desordem que carrega a humanidade a uma “liberdade”, que a acorrenta a uma situação – e que deteriora todo o seu processo de evolução.
Sonia Regina Cancine
Muitos são os caminhos que conduzem à luz.
Muitas são as teorias a respeito... Mas, qual luz?
Desde que o mundo é mundo, a mais antiga das citações divinas se faz presente: - “Haja LUZ” e do verbo, se fez LUZ!
Luz é vida, é amor, é paz, é sabedoria
Contudo, as pessoas buscam respostas para tentar iluminar este vasto universo, mergulhado na escuridão da consciência de si mesmo. Buscam-se respostas firmadas em teorias das mais diversas possíveis e são aceitas - tidas como normais, as mais diversas formas de se viver. Uns alegam que a felicidade está na liberdade de escolhas, e de escolhas estas, que antes causavam indignação e repúdio a sociedade. A banalidade das relações está posta em nome da liberdade e em busca de uma felicidade fabricada, firmada em conceitos que contribuem com o monopólio capitalista. Ao se banalizar as relações humanas e o sofrimento, esquece-se de que nestas experiências (interpretações errôneas de liberdade), há uma perigosa conotação: É como se concordássemos com tudo o que acontece no mundo. O bandido ou psicopata sente-se livre, para agir. Pois, tudo é normal e plausível. Quer se drogar matar, roubar, estuprar, experimente!
As conseqüências do que posto está, parte de interpretações distorcidas da liberdade e há uma impunidade, sem fim. Inclusive, existem sociedades ou grupos que estimulam determinadas práticas libertinas. Pois, bem sabemos que a natureza humana é promíscua e que é aplaudido o que é “instigante aos instintos selvagens e ao prazer da carne”. Faz-se, indispensável o uso de certas repressões, para que a ordem se estabeleça. O homem corrupto, selvagem em sua natureza humana, deve resgatar determinados valores e limites, para que caminhe em direção a luz. Pois, da forma como a humanidade vem se revelando, é o manifesto das trevas na vida do homem.
Posso, sobretudo, afirmar que a manifestação da luz divina é fato, e que além da revelação da maravilhosa e perfeita natureza, também existe a manifestação divina, em momentos de comunhão com o Criador. Cujo momento se faz presente, no coração.
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.: Instantes...
Ah! O vôo de liberdade...
Sonia Regina Cancine
Conduz a lindos sentimentos de paz.
Danço ao som da melodia suave
...desperta em movimentos
...desperta em sensações
Uma vontade quase que selvagem
Desperta com força e beleza.
As notas indo e vindo...
Em movimentos firmes e fortes
Seduzem-me, com vigor.
E em gotas...
- transformam-se em amor -
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.: Mãos Ressequidas...
Sonia Regina Cancine
Olhando para trás, deixo-me encantar.
Com lindas lembranças, do mais belo amanhecer...
Extasiada nestas lembranças
Sinto o cheiro de café
...o cheiro de brisa.
...o cheiro de pinhedo.
...o canto de pássaros.
O toque suave de um beijo
O bom dia, com alegria...
Olho-me, então, no espelho e vejo:
- tudo diferente -
Vejo seu rosto e traços envelhecidos
O olhar, com um toque de tristeza.
Alma abatida e cansada
Mãos ressequidas...
Assim a percebo, minha mãe...
Outrora, feliz e repleta de vida.
Hoje, sobrevive...
Em meio a belas lembranças
E outras, já não mais...
Sua memória perdendo-se lentamente
Como luzes que se apagam...
Aqui e acolá!
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Pois, é através do conhecimento, da tomada de consciência de nós mesmos,
que podemos obter a reversão de padrões e valores sociais,
almejando uma sociedade mais saudável e feliz!
Sonia Regina Cancine
© Abril.2004 Maringá - PR
© Direitos Autorais Reservados
Sonia Regina Cancine

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Desejo-lhes:.
Soninh@


Esta pombinha da paz
voa de site em site.
Ajude-a fazer a volta ao mundo,
levando-a para o seu blog.
Aqui ela chegou dia 13/12/2007